Elza Cobra de Moraes conheceu Itanhaém no final dos anos 60, a veraneio, com o esposo Wilson de Moraes, que era militar. Gostaram muito da cidade litorânea. Mudaram-se para Itanhaém em 1970, indo residir em uma casa na esquina da avenida Condessa de Vimieiros com a rua Leopoldino Araújo.
Elza nasceu na Capital, em 1920, na Rua Bonita, no bairro da Liberdade. Estudou em escola de freiras, o tradicional Colégio São José, na Rua da Glória, com educação francesa, e entrou para o magistério. Lecionou por quase toda a vida, formando homens e mulheres de bem, verdadeiros cidadãos e cidadãs.
Ainda na escola, conheceu o futuro esposo,
Wilson. O casal teve três filhas.
Nas férias que passavam em Santos, ela, o marido e as filhas um dia resolveram conhecer a cidade praiana de que todos falavam, a cidade do Convento, das lindas praias.
Quando chegou a Itanhaém, Dona Elza se maravilhou
com as belezas naturais, o clima bucólico, a tranquilidade e o som das ondas se
chocando contra os rochedos, um conjunto harmônico que encantava e continua
encantando os visitantes.
Depois de aposentada no magistério, Dona Elza descobriu a arte em Itanhaém. É poeta com livro publicado, membro da Academia Itanhaense de Letras e autora de lindos quadros onde retrata o cotidiano e as paisagens da cidade, principalmente as praias.
Ainda em São Paulo, antes de se mudar para Itanhaém, Dona Elza teve seu primeiro contato com o radioamadorismo, radioescuta e radiotelegrafismo. Gostou tanto que adotou a atividade como hobby e se tornou uma das radioamadoras mais conhecidas do Brasil.
Essa prática ela mantém ainda hoje, aos 92
anos, em sua casa, no Centro de Itanhaém, onde mantém um radioamador e um
telégrafo, liderando rodadas de conversas com outros radioamadores do país e do
mundo todo.
Entre as principais lembranças da atividade, ela se recorda que na Estação Ferroviária de Itanhaém havia um telégrafo antigo, grande, que atraía a atenção dos meninos e que serviu durante muitas décadas como o principal canal de comunicação da cidade com outras localidades, antes da chegada do telefone.
Dona Elza se recorda também de episódios marcantes no radioamadorismo, como campeonatos e concursos, ações de salvamentos a pilotos e capitães perdidos em alto-mar e outros momentos de prestação de serviços em que o radioamador foi vital para garantir a sobrevivência de muitas pessoas, em catástrofes e acidentes. Quando a comunicação mais comum falha, no caso os telefones e celulares, a humanidade sabe que pode contar com o radioamador e com o telegrafista.
Um dos maiores encontros de radioamadores do país foi realizado em Itanhaém em 2011. Dona Elza foi procurada por radioamadores e telegrafistas de vários Estados, que queriam conhecer a mulher com quem eles conversam frequentemente e que é respeitada e querida neste segmento.
Hoje nosso Município tem a honra de ter como uma de suas cidadãs uma pessoa de gestos tão nobres e motivo de tamanha admiração no radioamadorismo, que dignifica esta atividade que, mesmo sendo um hobby, é das mais importantes para a vida social da humanidade.
(por André Caldas)
