Estilos da garotada
Na
adolescência sobra tempo para se apegar a modas passageiras
Ver um
garoto fantasiado de Restart não impressiona tanto porque, na adolescência, por
exemplo, nossa turminha também curtia bandas e cantores populares. Era moda
entre 1984 e 1985 tentar ficar parecido com o Paulo Ricardo do RPM e as meninas
com a Madonna, estourando na época com Like a Virgin. Tinha um grupinho
na escola do Belas Artes que imitava o Queen. O líder até pintava aquele
bigodinho do Freddie Mercury.
Tinha a
turma que imitava com perfeição os passos da música Billie Jean, do
Michael Jackson. E como
faltava coragem aos meninos para se caracterizar como o Rick Martin, Robi Rosa,
Roy, Ray, etc, essa tarefa cabia às meninas. Numa festinha, deram show, numa
dublagem perfeita da música Não Se Reprima.
Quase tiveram o brilho
ofuscado pela apresentação de uns vinte alunos que imitaram o mega sucesso de
então, We Are The World, a música criada para ajudar no combate à fome
na Etiópia. Teve professor chorando. Aí rolava o bailinho. Tinha a música If
You´re Not Here (By My Side), cantada pelo Robi e todo mundo dançava a
lenta. Mas era mão no ombro. Com um metro de distância. A dona Xixa vigiando.
Nas
festinhas, as professoras incentivavam as performances porque também era um
lado cultural que estávamos vivendo. Uma vez teve um concurso de dublagem. O
Adail (in memoriam), irmão do Geraldinho, e desde criança mestre na arte
da dança, montou um grupo para imitar o The B52s. Tirou nota 10 e foi concorrer
no campeonato municipal de dublagem, realizado no CENE. Tirou 10 de novo.
Depois se tornou conhecido na Cidade quando criou o grupo de dança Casablanca,
que todos se lembram muito bem.
Modismos
são comuns em qualquer época. A gente parece esponja, que absorve tudo o que é
oferecido no momento. Numa época, acho que em 88, éramos uns oito na turma do
2º D noturno, ali no Jon Teodoresco. Resolvemos deixar o bigode crescer. Só o
bigode. Em alguns era só a penugem. Em outros, parecia o Rivellino, tal o
volume do mustache. Aí os outros da classe resolveram entrar na
brincadeira.
O professor
Felício (de Química) também deixou crescer seu bigode loiro e aderiu ao
movimento. Mas durou pouco aquela rebeldia. Em 1988, bigode deixava todo mundo
velho. E tinha a reclamação das namoradas. Diziam que “espinhava” na hora do
selinho.
Bom, pra
resumir, quando vemos nossos filhos, sobrinhos e afilhados comprando CDs,
pôsteres do Restart, Luan Santana, camisetas, calça verde e tênis laranja, não
nos assustemos.
Já fomos
assim um dia. Lembram-se quanto esforço pra assistir a um show dos Mamonas, de
Bredão, dormindo na rodoviária de Santos e voltando pra casa só no domingo de
manhã?
Já gostamos
até do Menudo, vejam vocês.
(texto criado em novembro de 2010 e integrante da coletânea Crônicas de um Itanhaense)
