terça-feira, 20 de agosto de 2013

Coisas dos anos 80


Estilos da garotada

Na adolescência sobra tempo para se apegar a modas passageiras

Ver um garoto fantasiado de Restart não impressiona tanto porque, na adolescência, por exemplo, nossa turminha também curtia bandas e cantores populares. Era moda entre 1984 e 1985 tentar ficar parecido com o Paulo Ricardo do RPM e as meninas com a Madonna, estourando na época com Like a Virgin. Tinha um grupinho na escola do Belas Artes que imitava o Queen. O líder até pintava aquele bigodinho do Freddie Mercury.
 
Tinha a turma que imitava com perfeição os passos da música Billie Jean, do Michael Jackson. E como faltava coragem aos meninos para se caracterizar como o Rick Martin, Robi Rosa, Roy, Ray, etc, essa tarefa cabia às meninas. Numa festinha, deram show, numa dublagem perfeita da música Não Se Reprima.
 
Quase tiveram o brilho ofuscado pela apresentação de uns vinte alunos que imitaram o mega sucesso de então, We Are The World, a música criada para ajudar no combate à fome na Etiópia. Teve professor chorando. Aí rolava o bailinho. Tinha a música If You´re Not Here (By My Side), cantada pelo Robi e todo mundo dançava a lenta. Mas era mão no ombro. Com um metro de distância. A dona Xixa vigiando.

Nas festinhas, as professoras incentivavam as performances porque também era um lado cultural que estávamos vivendo. Uma vez teve um concurso de dublagem. O Adail (in memoriam), irmão do Geraldinho, e desde criança mestre na arte da dança, montou um grupo para imitar o The B52s. Tirou nota 10 e foi concorrer no campeonato municipal de dublagem, realizado no CENE. Tirou 10 de novo. Depois se tornou conhecido na Cidade quando criou o grupo de dança Casablanca, que todos se lembram muito bem.

Modismos são comuns em qualquer época. A gente parece esponja, que absorve tudo o que é oferecido no momento. Numa época, acho que em 88, éramos uns oito na turma do 2º D noturno, ali no Jon Teodoresco. Resolvemos deixar o bigode crescer. Só o bigode. Em alguns era só a penugem. Em outros, parecia o Rivellino, tal o volume do mustache. Aí os outros da classe resolveram entrar na brincadeira.

O professor Felício (de Química) também deixou crescer seu bigode loiro e aderiu ao movimento. Mas durou pouco aquela rebeldia. Em 1988, bigode deixava todo mundo velho. E tinha a reclamação das namoradas. Diziam que “espinhava” na hora do selinho.

Bom, pra resumir, quando vemos nossos filhos, sobrinhos e afilhados comprando CDs, pôsteres do Restart, Luan Santana, camisetas, calça verde e tênis laranja, não nos assustemos.

Já fomos assim um dia. Lembram-se quanto esforço pra assistir a um show dos Mamonas, de Bredão, dormindo na rodoviária de Santos e voltando pra casa só no domingo de manhã?

Já gostamos até do Menudo, vejam vocês.

(texto criado em novembro de 2010 e integrante da coletânea Crônicas de um Itanhaense)