Pois é, parece que foi ontem. Uma década sem a cantora Cássia Eller nos faz lembrar de todos os bons cantores que nos deixaram cedo, mas plantaram músicas de qualidade que jamais vamos esquecer.
A morte precoce parece que amplifica a importância de suas letras e sua poesia.
A gente pensa também em quantos artistas, tão bons no início da carreira, que penam, comem poeira, sofrem agruras mil até que conseguem um lugar ao sol.
Não foi diferente com Cássia Eller.
Disso me recordo muito bem.
Corria o abafado verão de 1990, em Itanhaém. Nos finais de semana, atuava como promotor de eventos da Danceteria Ibiza, do meu amigo Zé Demetrius.
Resolvemos promover o concurso Garota Ibiza, em janeiro.
Convidei um velho amigo, o locutor mais famoso daquela época, o Rui Pantera, líder de audiência na Rádio Cultura FM, de Santos. Ele apresentou o evento e sorteou LPs (os bolachões) de vários cantores, entre eles uns quatro discos da Cássia Eller.
“Cássia quem???”, perguntavam os brindados com os discos.
Já tinha ouvido alguma coisa dela e gostei muito do som e da emoção colocadas nas músicas. Algumas pessoas devolveram os discos na saída, alegando desconhecer a artista.
Certamente se arrependeram depois, já na metade da década de 90, quando a cantora estourou com vários sucessos (Eu só peço a Deus um pouco de malandragem... mesmo sendo um refrão pegajoso, é muito melhor do que os Rebolations da vida).
Não tenho mais aquele álbum "Cássia Eller" (na época os primeiros discos dos artistas saíam com seus nomes), de 1990, que tinha uma música ótima: Não Sei O Que Eu Quero Da Vida – alguma coisa onde Zeca Pagodinho depois puxou inspiração para criar Deixa a Vida Me Levar.
Aliás, lembrei que não tenho mais nenhum dos meus bolachões (extraviados nesta vida nômade).
Cássia Eller penou para ser reconhecida. Infelizmente, saboreou muito pouco o estrelato.

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