![]() |
| Livro de André Caldas, à venda em todas as bancas de Itanhaém, por R$ 12,90 *este livro já está na segunda impressão (agora com mais 300 exemplares) |
Fãs de ocasião
Ter
um ídolo, ser fã de um artista, mesmo que bem distante, não faz mal a ninguém
Artistas
de televisão despertam a curiosidade de qualquer um. Mesmo que não estejam mais
em evidência. Dias
atrás, duas situações me chamaram bastante a atenção. A primeira aconteceu no
Pão de Açúcar. Estava na fila do caixa quando percebi a chegada do querido
Carlos Miranda. Cumprimentei-o, trocamos umas palavras e, em seguida, ouvi na
fila, atrás, uma voz feminina, totalmente espantada, indagando se aquele não
era o ator do seriado Vigilante Rodoviário. Era uma paulistana, sessentona,
babando de felicidade por estar tão perto de seu maior ídolo na juventude. A
emoção foi ainda maior porque contei a ela que o seriado de aventura de maior
sucesso nos anos 60 voltará a ser produzido, pela Globo, para ser exibido ainda
este ano.
A
outra situação curiosa foi quando um conhecido me procurou com o número do
celular de uma atriz global que ele acabara de encontrar na praia.
Estava
tão eufórico que fez questão de contar em detalhes tudo o que conversou com
ela. Fiquei bobo com a admiração do rapaz. Definitivamente, ela acabara de
ganhar um fã. A artista, Tânia Boldezan, de fato participou de muitas novelas
na Globo. Em Terra Nostra, foi a
governanta da casa do personagem de Raul Cortez, o Francesco. Ela revelou que tem casa em Itanhaém e adora as praias
da cidade.
Estar
perto de alguém famoso da TV deve mesmo causar uma estranha sensação de
importância. Em fevereiro, recebi um telefonema de um colega. Estava no orelhão
de um quiosque no Tupi, acabara de jogar futebol com um pagodeiro do
Katinguelê. Me convidou para fazer uma matéria. Não sei se era coincidência,
mas ele tinha todos os discos do grupo.
Outro
amigo, roqueiro desde a adolescência, deu de cara com o guitarrista dos Titãs,
Nando Reis, na praia do Suarão. Em outro caso, em 1985, um integrante do RPM, Fernando
Deluqui, em seu auge, passou uns dias no Cibratel e frequentava o Pocinho. Não
se falava em outra coisa na cidade.
Vez
por outra, colegas encontram gente famosa em Itanhaém e fazem questão de me
telefonar. “Alô, estou aqui no Calipso almoçando e você não imagina quem está
na minha frente! O Elias Gleiser.”
Um
episódio conhecido, e engraçado, foi a festa de lançamento do Xuxa Water Park,
há três anos, no bifê O Leopoldo, na capital. Tinha artista que não acabava
mais. De todo tipo e estilo.
E
a numerosa delegação de Itanhaém não perdeu a chance. Tantas fotos que quando
voltaram à cidade e se encontravam, tentavam esnobar sacando uma foto do bolso,
no que o outro fazia a mesma coisa.
Ter
um ídolo, ser fã de um artista, mesmo que bem distante, não faz mal a ninguém.
É
parte da natureza humana. Reflete um pouco daquilo que gostaríamos ou
poderíamos ser, um dia talvez.
Texto integrante do livro "Crônicas de um Itanhaense". Foi veiculado originalmente em setembro de 2001, na seção Crônica da Cidade, do jornal Fatos de Itanhaém.

Nenhum comentário:
Postar um comentário