domingo, 19 de dezembro de 2010

BOLEIROS

Tema: Decisão do futebol em janeiro de 1979

André Caldas

Quem acompanhou garante que foi inesquecível. Foi uma jornada esportiva digna de entrar para a história. E entrou, realmente.
O futebol no Brasil, nos anos 70, vivia uma fase romântica, com os craques desfilando suas cabeleiras pelos campos afora. No futebol de Itanhaém atuavam jogadores que poderiam muito bem vestir a camisa de qualquer equipe profissional. E muitos até foram, casos de Pedro Paulo (jogou nos juniores do Botafogo de Ribeirão Preto, ao lado de Sócrates), Esquerdinha (jogou no Santos e na Portuguesa Santista), Toninho Boá (craque do Juventus e Cruzeiro), além do ponta-esquerda Totó, irmão da D. Carmem, da família Rodrigues, que jogou na Espanha.
Os mais antigos contam que o quadrangular envolvendo o Vila Nova, Palmeirinhas, Anchieta e Ivoty foi marcante em vários aspectos. A começar pela paixão que o futebol despertava nas comunidades. Na época, os times tinham fiéis e apaixonadas torcidas. Os diretores se esforçavam para promover grandes festivais de futebol nos aniversários dos clubes. Nestes festivais, a Prova de Honra era a partida mais aguardada, pois reunia o 1º quadro do time da casa contra algum visitante ilustre. Os clubes mais temidos de Santos, São Vicente e São Paulo chegavam com quatro ou cinco ônibus de torcedores. Era a hora máxima da grande festa, que geralmente começava no sábado pela manhã, com as categorias menores: fraldinha, mirim, infantil e juvenil. No domingo pela manhã, jogavam os veteranos e convidados. Então, às 16 horas a ansiedade da torcida aumentava. Os fogueteiros preparavam os pavios. Lá vinha o esquadrão, o escrete magnífico, os ídolos da multidão. Os fogos explodiam no espaço.
E quando a bola rolava, era um verdadeiro espetáculo de futebol.
Nos dias atuais, o futebol amador não demonstra a mesma grandeza em termos de ídolos. São poucos jogadores admiráveis, daqueles que nos levam para um campo da várzea especialmente para vê-los em ação. Para ser de boa qualidade técnica, as equpes buscam atletas em Peruíbe, Mongaguá e Praia Grande. E o pior de tudo isso: os clubes se fecharam. Fizeram muralhas ao redor do campo, o que os afastou definitivamente da torcida.
Voltando a janeiro de 1979, o quadrangular foi realizado para definir o campeão de 78. O Vila Nova, campeão de 77, queria o bicampeonato. E tinha time pra isso.
O clube absorveu o carinho de toda a comunidade do Belas Artes. Torcedores do Jacnay, do antigo Comercial do Iemanjá, do Corumbá, América e Fluvila fizeram parte da caravana que percorreu a pé o trajeto entre o Belas Artes e o Campão (pela linha do trem) explodindo fogos e tremulando as bandeiras.
A campanha do Vila Nova foi muito boa: dez jogos, 12 gols pró, 3 contra, 4 vitórias e 5 empates. Perdeu apenas uma vez. Foi para o Anchieta por 3 x 2, na única partida em que o goleiro Luizinho tomou gol. E foram logo dois do atacante Luciano Moura dos Santos (futuro vereador entre 1989 e 1992), que acabou sendo o artilheiro daquele ano.
Personagens
José Duarte de Castro, o popular Zé Macaco, filho do empresário Jayme de Castro, construtor do edifício Castro em 1970, era lateral-esquerdo do Palmeirinhas. “Foi uma semifinal inesquecível. Mexeu com os jogadores, com a torcida. Parou a cidade. Todos queriam ver a disputa do quadrangular”, narra.
Benedito Gonzaga Dias, o Pezão, até hoje fala daquela decisão. “O Vila Nova era temido porque tinha a base do antigo time da Guarda Civil, que era quase imbatível. Aquela semifinal ficou para a história”.
Hoje técnico aposentado, o ex-goleiro do Vila Nova, Luizinho Ricardo, lembra de um episódio marcante daquela decisão. “O time do Anchieta se concentrou antes da partida contra o Vila Nova. Fizeram como os times profissionais. Só que não teve jeito. Perderam pra gente por 2 x 0”.
O Vila Nova foi bicampeão e o Belas Artes parou em festa. O campo do time era ainda ali perto da linha do trem, em frente à igrejinha do bairro. A festa varou a madrugada.

Do Anchieta não temos a escalação completa. Se alguém puder ajudar. Alguns são conhecidos: João Calminha, Mané Poitena, Luizinho das Dores, Dodô, Joãozinho. O primeiro agachado, de camisa botão, é o Carlinhos Fiscal, falecido, pai do Liliu da Sabesp.
A escalação do Palmeirinhas tem algumas brechas. Pedimos vosso apoio. Em pé: Joaquim Sem Braço, faleceu cego; Mané do Guincho, Marcos Ramiro, Bité (pelo menos parece), Moacir (trabalha hoje na Prefeitura), Zé Macaco e o goleiro Cleiton (hoje é preparador de goleiros no Mirassol, time que disputa o Paulista).  Agachados ali temos o Edú, o Barrela, o Mané Pinto, o Miguelito. Faltam os demais.
O Palmeirinhas nasceu e morreu junto com o Sr. Nivaldo de Oliveira, pai do Vado e fundador da Nivana Turismo, de tantas viagens inesquecíveis, que também contaremos em breve aqui no “Fragmentos da História Itanhaense”.
Também não temos os nomes de todos os craques do Ivoty, que jogou com um uniforme parecido com o São Paulo FC. Pedimos a ajuda dos leitores para achar os nomes. Sabemos alguns: o goleiro é o Mauricio Ribeiro; tinha também o Guaru, Niltão, João Vítor (eterno), Neno e o Toninho.

Vila Nova: Um time que o Belas Artes jamais esquecerá. Na foto, o bicampeão de 77 e 78 tinha, em pé, Castro do Castor, Luizinho Ricardo, Wilson Augusto (hoje tem uma avicultura), Gilmar Prado (trabalha na Prefeitura), Pézão (hoje técnico do Unidos do Savoy), Dedé (o médico Dr. Alder, vereador mais votado em 96), esse era um mascote que não lembramos (se alguém souber) e Baiano.
Agachados: Rafael Bordoada (vive hoje no Belas Artes e freqüenta o clube, onde apita jogos amistosos), Liu (vive no Savoy), Laurinho (mora na Vila São Paulo), Tukinha (técnico do Vila Nova, trabalha no hospital. É pai da campeã de judô Aminna Bispo Costa), Luizão (é o popular apresentador do programa de esportes da Rádio Anchieta), Batatinha (ponta-esquerda endiabrado. Morreu há dez anos. Nosso amigo Buda, que era Guarda Municipal no hospital, viu seu último suspiro e lamenta até hoje a morte do amigo de infância), Gringo (irmão do goleiro Dito Carlos, aposentou-se pela Prefeitura e freqüenta o Vila Nova até hoje) e Ronaldo Lopes (o popular Bico, artista plástico, ex-diretor de Cultura, pode ser visto ali na Ladeira esculpindo o famoso presépio de areia). O técnico não está na foto. Era o Tenente Alderige Ferreira do Nascimento, um dos homens fortes da cidade na época. Tinha um jeep. Foi eleito vereador mas não assumiu porque faleceu antes da posse. Seu filho é o Dr. Alder.       

(Matéria extraída do jornal Fatos de Itanhaém)

2 comentários:

  1. Parabéns! Pelo resgate da história e estórias do futebol de várzea de Itanhaém. Conheci e joguei contra alguns craques: Joãozinho, ponta esquerda do Palmeirinhas (hoje mora em Cananeia), Pedro Paulo, Álder, etc... Joguei pelo E.C. Avenida contra o Anchieta, Vila Nova, e Savoy nos anos 70. Cheguei a acompanhar alguns jogos do Palmerinhas, Guarda Civil e São Paulo, contra o Prainha em Miracatu. Dessas grandes equipes do passado, o Prainha ainda permanece na ativa, completou em 2011, 82 anos. Abraç

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  2. Depois de um ano mais ou menos do jogo que só foi jogado uns 20 minutos do segundo quadro ,Santista da vila Mangalot x Vila Nova....Eu fui jogar em um festival devia ser do Vila Nova,pois foi no mesmo campo da briga....e fizemos o jogo final contra o Vila Nova e vencemos por 3x1..o time era de Piriuba..Unidos do Santo Elias....foi um jogão ..e fomos muito bem tratados....nessa partida jogaram varios jogadores do Santista da vila Mangalot,nós estavamos com medo de ir nesse jogo por causa da briga ....mas não aconteceu nada fomos bem recebidos....foi um jogão a casa estava cheia....grandes jogos

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