quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Do livro "Crônicas de um Itanhaense"


Promessas para o ano vindouro
 
Como toda festa de confraternização, tem muito veneno escorrendo pelo canto da boca

Sexta-feira passada foi o dia do encontro anual de uma velha rapaziada ligada à comunicação aqui da região. Velhos e novos profissionais do nosso ramo. Alguns chegando agora, outros já pensando em aposentadoria. Desta vez, não éramos muitos. Mas enchemos quatro mesas. Um papo mais que agradável, porque a regra ali é falar de tudo e, obrigatoriamente, até da vida de quem faltou ao encontro. Nada de amigo oculto também. Isso é coisa de capitalista, consumista, resmungou lá da ponta o velho Neirão. 

Toda turma de amigos reserva um canto para os que não perdoam nada nem a ninguém. Cospem veneno. De tudo fazem chacota. Acho que entrei nessa fatia, sexta passada. E o veneno foi destilado em cima dos pauteiros do telejornalismo regional. Porque, no meio da conversa, sugeri que registrássemos em guardanapos as pautas que os telejornais regionais obrigatoriamente levariam ao ar em 2011. Mas foi assim: antes, deixamos bem claro nosso respeito imenso à turma televisiva aqui da Baixada. É que, querendo ou não, é batata! Pode apostar: as pautas são todas iguais, ano após ano.

Então registramos em vários guardanapos o que os repórteres mostrarão na TV regional no próximo ano. Começando por janeiro em que aparece sempre um jornalista ao vivo de uma praia do litoral anunciando calor recorde, engarrafamento na Pedro Taques, temporais na Baixada, enchentes, falta d´água. Daí entra fevereiro e a pauta obrigatória é o Carnaval. E tem também aquela repórter que vai entrar ao vivo d´uma papelaria pra mostrar que os pais precisam pesquisar os preços dos materiais escolares.  

E por aí a conversa discorreu até chegarmos a dezembro, entre risos, veneno escorrendo pelo canto da boca. O relógio acusava uma da manhã e os celulares começaram a se manifestar. Eram as esposas intimando a que horas terminaria a “festinha”, assim, com ironia mesmo. Praticamente só tinha homem na reunião. Tinha a Soraia também. Só que ela recebeu um telefonema de sua esposa, como ela mesma entregou. Então éramos um clube do Bolinha ali naquelas quatro mesas.

Ainda deu tempo de fazer algumas votações para eleger o “quem é quem do Brasil” do ano que estava acabando. O cara do ano foi o palhaço Tiririca (Neymar perdeu por um voto); a musa de 2010 foi a atriz Aline Moraes; o mico do ano foi cometido pelo Faustão que, ao vivo, trocou bullying (atos de violência física ou psicológica) por bulimia. Teve também a Suzana, colega nossa, cujo casamento foi em maio. Ela ganhou o “Troféu Acabou com o Clima” de 2010. A Suzana avisou o Ronaldo, na primeira noite da lua-de-mel, que pegara uma disenteria daquelas. O bufê servira um marisco bem passado. Passado dos dias. 

Como toda festa de confraternização, terminamos prometendo cada um levar mais um profissional de imprensa no encontro do próximo ano. Entre as promessas repetidas, das mais divertidas foi a do Rubão, cinegrafista, que prometera não se separar de sua esposa em 2011. Já está no oitavo casamento. 

No final, ficaram comigo os guardanapos com as apostas das tais pautas televisivas. Estarão bem guardadas. Até dezembro de 2011, quando vamos nos encontrar e rir bastante de mais um ano. Inclusive o comunista Neirão. Saúde, velho!

André Caldas
Dezembro de 2010
*texto extraído do livro "Crônicas de um Itanhaense", à venda nas bancas de itanhaém, já em segunda edição

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