Promessas para o ano vindouro
Como toda festa de confraternização, tem
muito veneno escorrendo pelo canto da boca
Sexta-feira
passada foi o dia do encontro anual de uma velha rapaziada ligada à comunicação
aqui da região. Velhos e novos profissionais do nosso ramo. Alguns chegando
agora, outros já pensando em aposentadoria. Desta vez, não éramos muitos. Mas
enchemos quatro mesas. Um papo mais que agradável, porque a regra ali é falar
de tudo e, obrigatoriamente, até da vida de quem faltou ao encontro. Nada de
amigo oculto também. Isso é coisa de capitalista, consumista, resmungou lá da
ponta o velho Neirão.
Toda turma
de amigos reserva um canto para os que não perdoam nada nem a ninguém. Cospem
veneno. De tudo fazem chacota. Acho que entrei nessa fatia, sexta passada. E o
veneno foi destilado em cima dos pauteiros do telejornalismo regional. Porque,
no meio da conversa, sugeri que registrássemos em guardanapos as pautas que os
telejornais regionais obrigatoriamente levariam ao ar em 2011. Mas foi assim:
antes, deixamos bem claro nosso respeito imenso à turma televisiva aqui da
Baixada. É que, querendo ou não, é batata! Pode apostar: as pautas são todas
iguais, ano após ano.
Então
registramos em vários guardanapos o que os repórteres mostrarão na TV regional
no próximo ano. Começando por janeiro em que aparece sempre um jornalista ao
vivo de uma praia do litoral anunciando calor recorde, engarrafamento na Pedro
Taques, temporais na Baixada, enchentes, falta d´água. Daí entra fevereiro e a
pauta obrigatória é o Carnaval. E tem também aquela repórter que vai entrar ao
vivo d´uma papelaria pra mostrar que os pais precisam pesquisar os preços dos
materiais escolares.
E por aí a
conversa discorreu até chegarmos a dezembro, entre risos, veneno escorrendo
pelo canto da boca. O relógio acusava uma da manhã e os celulares começaram a
se manifestar. Eram as esposas intimando a que horas terminaria a “festinha”,
assim, com ironia mesmo. Praticamente só tinha homem na reunião. Tinha a Soraia
também. Só que ela recebeu um telefonema de sua esposa, como ela mesma
entregou. Então éramos um clube do Bolinha ali naquelas quatro mesas.
Ainda deu
tempo de fazer algumas votações para eleger o “quem é quem do Brasil” do ano
que estava acabando. O cara do ano foi o palhaço Tiririca (Neymar perdeu por um
voto); a musa de 2010 foi a atriz Aline Moraes; o mico do ano foi cometido pelo
Faustão que, ao vivo, trocou bullying
(atos de violência física ou psicológica) por bulimia. Teve também a Suzana,
colega nossa, cujo casamento foi em maio. Ela ganhou o “Troféu Acabou com o
Clima” de 2010. A Suzana avisou o Ronaldo, na primeira noite da lua-de-mel, que
pegara uma disenteria daquelas. O bufê servira um marisco bem passado. Passado
dos dias.
Como toda
festa de confraternização, terminamos prometendo cada um levar mais um
profissional de imprensa no encontro do próximo ano. Entre as promessas repetidas,
das mais divertidas foi a do Rubão, cinegrafista, que prometera não se separar
de sua esposa em 2011. Já está no oitavo casamento.
No final,
ficaram comigo os guardanapos com as apostas das tais pautas televisivas.
Estarão bem guardadas. Até dezembro de 2011, quando vamos nos encontrar e rir
bastante de mais um ano. Inclusive o comunista Neirão. Saúde, velho!
André Caldas
Dezembro de 2010
*texto extraído do livro "Crônicas de um Itanhaense", à venda nas bancas de itanhaém, já em segunda edição
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